lendo wang wei

o som da chuva nas calhas
tem o eco agudo dos plásticos
e eu aguardo por um vento
que circunde o quarto aberto
até esfriar os lençóis e
a sanha dos mosquitos
mas pela janela só entram
pequenas gotas mortas
incapazes de limpar meu coração

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

2 respostas para “lendo wang wei

  • Leitor

    O que uma insônia pode nos trazer, heim, professor…resolvi ligar o computador para ver se dormia, arrisquei clicar no teu site: e que surpresa boa! Adorei todos os teus novos poemas, em especial o “ainda”, “ruídos” e “gotas”, sendo que esses dois últimos eu achei obras primas, realmente. Eu gosto muito da tua honestidade na escrita, a tua verdade. Aquela que fala do Diego Grando, quer dizer, nos torna instantaneamente íntimos do poeta, e a poesia então supera o skype…é impressionante, mesmo. Senti, sem demagogia, em vários momentos um calor bom no peito, de alento vivo, em cada um dos teus poemas. Às vezes a tua poesia é sutil e descritiva, mas, num contraste fundamental, vai nos enredando com uma força absurda no sentimento muito particular que tens em relação à vida, como o mar a nos levar na correnteza – e isso é lindo e genial. Parabéns, professor, e fico muito feliz que tenhas voltado a postar. Depois de ler as tuas poesias, já que são três horas da manhã e já estou arrastado pelos teus poemas e o sono, deixei correr também uma poesia, que já posto agora, sem muitas correções que me façam perder a boa espontaneidade do momento. Abraço =)

    Tempo

    hoje o dia não me trouxe nada,
    um sentimento sequer que me fizesse perceber
    que as horas passam além da contagem fria dos ponteiros,
    do vagar de sol acima, do jogo escuridão e luz…
    estive ocupado demais em casa,
    guardando as paredes, sem previsão de se pintarem;
    e os meus olhos se pregaram à letargia de umas férias solitárias
    guardadas, sem ninguém saber, nas gavetas do mundo,
    em meio a outras coisas que também não há quem saiba.
    Isso é o que chamam vazio?
    Hoje, eu entendi o amanhã, que não existe,
    rasteiro nos meus pensamentos, sempre,
    tornando tudo em limbo futurístico, e mais nada.
    estou aqui, pela primeira vez em muito tempo, sem tempo –
    não como nos adultos, mas como nas crianças;
    esse presente eterno em nós a nos fazer ‘agora’.
    Estou assim literalmente,
    e a única coisa a me fazer sentido é gastar vida,
    pintar tudo das cores que eu quiser, e então dormir…
    pois que o amanhã, inexistente,
    acordará em mim o mesmo níveo estar dessas paredes velhas…

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