índio

iluminadas como a seção de carnes do mercado
as academias hoje desconhecem a razão dos ferros
ridículos frangos retendo líquido abutreiam-se
enquanto macacões coloridos e selados a vácuo
disputam espelhos espalhados tal em tetos de motel

em toda parte um fedor que não o do suor humano
mas o da baunilha doce de bebidas instantâneas
anima a descontração aprendida na sessão da tarde –
para o antigo silêncio cortado pelo choque dos metais
o som ensurdecedor e cancerígeno da música eletrônica

na academia do índio não trabalhávamos com ergométricas
nas paredes de azulejo havia esparsas fotos de seus feitos –
erguer um gol pela parte traseira ainda nos anos oitenta
as mãos na barra adaptada para erguer as gêmeas ruiz 
afixadas sob os ventiladores de aço há muito inoperantes

ao abrir de suas gavetas ampolas rolavam ambarinas
recebidas com um contrair de lábios e uma piscadela
o índio mesmo à vista de todos nos aplicava a droga 
e enquanto ardia em nossos ombros a dor boa da intra
um ou outro estrangeiro que não sobrevivia reclamava
que o banco da puxada era um banco de bar soldado no chão

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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