o clube

ficava no meio da curva
o clube 1001 noites
decadente e abandonado
com suas vidraças rotas
alvejadas por tantas pedras
que comportado não joguei

eu nada sabia da filha do vizir
nem poderia entender o quê
de promessa sultanesca
levara alguém a batizar
o feio prédio cor de rosa
no bairro afastado do centro
com tão arábica referência

não havia ainda o asfalto
e o som borrachoso das rodas
nos paralelepípedos claros
ecoava bem mais forte
do que ainda hoje me parece possível

um dia demoliram o clube
e como sempre por aqui
puseram no lugar casas laranjas
abatumadas num horrendo condomínio

às vezes penso nas festas –
eu pequeno e já não aconteciam
eu adulto e a impressão de nunca
ter conhecido a real folia
das noites naquela curva
animada dez anos antes de mim

nas festas em que fui
por vontade ou obrigação –
meia vida passada
nunca vi uma shahrazad
nem sequer desfrutei
da ludibriante presença
daquela irmã mais nova

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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