a cerca

era o casamento de teu amigo
e a imagem da festa te devolve
como num filme não editado
à bruta alegria daquele momento
não temias o que não havias perdido
não respiravas o ar mais denso
a constante ameaça
a todo e qualquer refúgio
à felicidade precária da tarde de sexo
à noite de amor que cedo se evola
nem havia esse aperto risível
ao perceber que nada dura
sempre o fomos felizes ontem
quando seca a última rolha
amortalhando o humor diáfano do vinho
perdida toda a eternidade
entre a fragrância de bosques
que o tempo veda com uma cerca
a que ferozmente te agarras
até que sangrem teus dedos
gordurosas e vermelhas lágrimas

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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