sábado

quando chegará o sábado,
ela pergunta
outra vez criança loira
com uma inocência
somente permitida
pela ausência de abstração

hoje é terça
eu digo
e ela já não brinca
senão com os olhos pintados
de noite azul ou mar noturno

vai me abraçar bastante
e dizer que minhas coxas
estão entre as coisas
que nunca poderá esquecer

sim

quando
sábado

sábado

por que não antes

e agora sou eu o menino
passam cavalos e camelos
girafas e zebras e grifos
enquanto a música toca
ao alcance de minhas mãos

Anúncios

Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

3 respostas para “sábado

  • Leitor

    Professor, eu leio, leio e releio as tuas poesias, a fim de aprender a me libertar de algumas amarras, na poesia e na vida. Eu escrevi ontem essa poesia, inspirado no teu estilo de escrever, e, se não for tomar muito o teu tempo, muito me agradaria a tua opinião.

    Natural

    estou morrendo, muito
    e a medicina transparente
    já não tem mais o que fazer
    interprete como quiser;

    oiço uma fantasia de Chopin
    e falo palavras estranhas
    Álvares de Azevedo, seria isso
    que me comove à morte d’antigamente

    preludio Op.28 n*4
    põem agora p’rá tocar
    divide comigo o que sinto
    além do que há nas palavras

    sim, é essa dor suave
    como suave é o mar que arrasta
    que agora me leva ao meu destino
    sozinho; sobre a água; fantasma;

    mas esse prelúdio é inevitável
    e aí está a sua beleza;
    mais do que um nobre Requiem
    há verdade nele, há natureza…

    • pedrogonzaga

      Bem, vamos ao poema 🙂

      Ele tem um bom tom e um ótimo ritmo. Acho que tu está no caminho certo. Acho que falta ainda um pouco de foco. Sobre o que é o poema, como eu posso mostrar mais, selecionar um exemplo e não tantos quanto aparecem no poema. Como o exemplo pode revelar a sensação. Lembre sempre disso: como encontrar a maneira mais concisa de fazer ver o efeito dos acontecimentos sobre a voz que enuncia. Mas tu já está encontrando uma voz, o que é sempre o mais difícil.

      Enviado via iPhone

  • Leitor

    Bah, professor, tu tem toda a razão. Com as tuas críticas percebi que realmente a poesia acaba ficando meio imprecisa. Não dá p’rá gente se dedicar a muitas coisas ao mesmo tempo, senão vai sair tudo meio mais ou menos. Eu tentei escrever uma coisa com uma só temática, mais concisa, mais direta. Sei que tens muito a fazer, mas a oportunidade de aprender com quem eu leio é p’rá poucos. Claro, quando tiveres tempo, apenas =)

    corredor

    a cadeira vazia
    o monólogo da televisão
    algumas coisas instrospectivas
    isso é parte do teu valor, que falta
    a companhia doce, calma
    alguma conversa banal.
    Os grilos na janela
    lembram uma discussão gostosa;
    sim, sinal de ti, que lembro, que passa.
    não estar é mais do que ir embora
    é viver-te ao contrário,
    na janta solitária
    no trânsito sem sentido:
    p’rá que voltar p’rá casa?
    Esse é um caso sem volta,
    pois foi-se o tempo, perdido
    e a gente só envelhece
    e tu (que triste!) está morta,
    e o que se foi correndo se esquece…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: