movimento

como um velho sobrevivente
que entregou os melhores anos à pólis
deixo-me ficar estirado sobre a cama
enquanto te arrumas afoita
tomada de uma pressa contraproducente
movendo de lá para cá uns cabelos infinitos
contraindo o rosto em tantas caretas
abrindo com fúria o armário
calças um sapato que logo descartas
entras no banheiro
sais do banheiro
retornas ao banheiro
bombatomizas o banheiro
para se pintar com toda sorte de produto
me olhas através da porta
de quando em quando
prometes barbarizar no escritório
agora sim vais pôr a roupa
antes era o corpo e a mal coberta intimidade
todo o movimento da vida dentro de um quarto
sem precisar de motores manifestantes
pipoqueiros aeroplanos pinos cirúrgicos
substituíste um a um todos eles
todos os assombros domesticados
que a cidade ainda insiste em apregoar

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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