o ator

por fim abre os olhos o ator
entregue ao exercício de catalogar
a intransponível presença das coisas
restos de um banquete cujo mofo
já une ossos e peles à louça branca
quem pode lavar esses detritos
sem sentir nas mãos a frialdade
dos sonhos ingenuamente acumulados
quem pode preservar os sentidos
quando as luzes se acendem
e corre um mesmo e velho sangue
em meio a lentas avenidas de subúrbio
e a natureza se afoga à praia negra
sempre um instante antes de nós

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

4 respostas para “o ator

  • Leitor

    Eu creio que o mágico das tuas poesias é que não buscamos palavras nelas. As palavras são tão somente um instrumento que muito se assemelha a bússola, sendo o norte a profundidade de tudo que o poeta sente. Por isso, quando leio as tuas poesias, eu já tenho em mim como preâmbulo um fragor que busca sempre aquilo que não se vê, mas que se entrega. Excepcional!

    • pedrogonzaga

      Que belo retorno. Captaste boa parte daquilo que busco, uma poesia que surge do movimento, desse movimento perpétuo do mundo que só podemos rastrear.

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