um ente

onde havia o gatilho
teu nariz que se afilava
o que disparava o gatilho
jamais saberemos

precipitados no sofá
enquanto cintilava teu ombro
junto a meus olhos astigmáticos
competia conosco um ente estranho
cuja voz traiçoeira dizia
a entrelaçar-nos:
não há mundo lá fora

mas havia
havia o mesmo mundo de sempre
o mesmo tempo

quem dera mais uma vez
nós os que não sabíamos
quem dera só mais uma vez
aquele mesmo sofá
em que um líquido espesso
teu e meu maculava
a brancura asséptica da tarde

Anúncios

Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: