última estação

descortina-se a última estação
foge a escuridão que nos protegia
luzes banham a cabine
cintila tua pele retesa
e ergues teu rosto
e teus dentes se revelam
espectrais e translúcidos

sigo dentro de ti
renitente
detém-se o vagão
uma voz nos alto-falantes
pronuncia a palavra final
mas alguma coisa em nós sabe:
não haverá fim
ainda que as águas frigorem
e os músculos quedem lassos
e os fiscais venham nos banir
e o tempo nos desfira rugas
e nossos olhos se desencontrem –
este desejo,
valise de peles marchetadas,
seguirá clandestino
rumo a uma outra estação.

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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