contestação

ela avança devagar sobre o piso da sala
seus pés deixam marcas úmidas, sal e areia
passos em um antigo tabuleiro de caça ao tesouro
ela traz consigo uma brisa e um cheiro de mar
nos cabelos a espuma das ondas rebentadas
não consigo deixar de vê-la, meu deus
não consigo cerrar meus olhos:
como não amar sua pele jovem
feita de mel e amêndoas?

toma-me o desespero do instante
de ver na juventude dela
o tempo que já não tenho
de saber que não pode haver equilíbrio
na contemplação
no petrarquismo
foda-se o poema,
foda-se a necessidade da poesia
quero-a agora
quero-a como nunca
já estou farto de saber
silêncio, poetas
quero-a
digo a ela
crava-me os dentes
reputo falso
ouviram?
que nada se salva de uma tarde de verão.

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

2 respostas para “contestação

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