por que um homem deve acreditar em seu senhor mesmo quando a adversidade lhe diz o contrário

curai-me da lascívia, senhor
ou ao menos dai-me a morte
de não pensar no que se perde
a cada mulher que passa
extirpai-me a fantasia inútil
dos faunos do passado
cegai-me para tantas pernas
sempre diferentes em aparência
lograi-me com o pensamento
de que são todas iguais
de que seus problemas
tolos e ordinários
se resolvem em revistas de ampla tiragem
alertai-me para o engano de seus truques
pois já não tenho forças, senhor
para sua beleza
real como a madeira deste lápis
que meus dedos apertam
boia inútil ante o naufrágio
porque há, senhor
no modo como tocam os cabelos
no modo como olham para onde não estou
no modo como estendem os lábios ao sorrir
alguma coisa que não posso alcançar.

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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