espera

o som do chuveiro
através da porta
o ruído abafado das roupas
tombando surdas
no chão de pedra
tua nudez imaginada
e ainda não vista
existe em mim
há muito tempo
teus braços de bronze mediterrâneo
tuas coxas fortes de singrar olivais,
desenho teus seios no ar
dou-te cada metade
de uma maçã da Pérsia.

da cama recolho os ecos de tudo
sonar que registra
a posição exata de um perigo.

a água pára e
tu perguntas que toalha usar,
já mescla de sibilo e canto,
respondo ofegante
e a porta se escancara.

à luz do banheiro,
vejo as duas fendas negras no ouro
de tuas narinas de águia
o brilho feroz de tuas plumas
tuas garras feitas para ferir
brutos marinheiros
e que agora
afortunadamente
vem me dilacerar.

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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