Dédalo

Imensidão primeira de Dédalo,
sombra que da terra se avista
no céu vedado aos homens
insciente de que ao inventar a fuga
inventava também a queda,
vejo teus olhos cravados num mar
eternamente silencioso
ouço tua obliterada lamúria
por este pedaço
de tua carne
para sempre perdido,
que se deixou encantar
por teu gênio,
como fizera o tiranete
de Minos.

Se para toda pena há prescrição,
por que seguem abertas
tuas asas de incorruptível cera?
Em que pensarás, Dédalo,
enquanto se expande sem limites
tua prisão?
Como é possível conceber labirintos
e evasões
neste universo feito
meramente
de ar, vapor e vento?

para Cláudio Moreno

Anúncios

Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

Uma resposta para “Dédalo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: