Inventário

Tuas roupas no chão do banheiro
misterioso exoesqueleto abandonado

um copo d’água à cabeceira da cama
aguarda a marca de tua boca insone

um par de meias entre os lençóis
antigos casulos de teus pés de gelo

a porta entreaberta e o feixe de luz
o jorro pacificador de tua urina

a gota de sangue seca no tapete do quarto
meses que jamais procuramos contar

o som das botas que te anunciavam
compasso que só meu coração reconhecia

o modo como estendias a mão e me tocavas
aquilo que para a carne é o abismo

uma pequena argola prateada na gaveta

um grampo enferrujado sobre o tampo de pedra

um tubo quase vazio de esmalte vermelho-chinês.

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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