Procela

não vejo nada, ele disse
o barulho das folhas
as copas
mar suspenso
o barulho das folhas
também não vejo, ela disse
o barulho das folhas
o nado
o anti-mergulho
a carne dela
desconhecida
que se abre
ao barulho das folhas
à maneira das flores
sem pressa
iridescente
oculta maresia
prevista maresia
minhas lentes, ele disse
o barulho das folhas
meus óculos, ela disse
na terra faz calor
há um mar em Garcilaso
há um mar em Camões
ondas verdes
seiva branca
encosta em mim, ele disse
o barulho das folhas
toma minha mão, ela disse
vamos
há um mar nos trovadores medievais
há um mar sobre os dois
prestes a afogá-los
a maciez das plantas
feitas de carne e pele
o barulho das folhas
pelo mar é que se foge
o mar só acaba no abismo
o barulho das folhas
os marinhos monstros
tingidos de azul
e vermelho
e laranja
e negro
entrelaçados
o barulho das folhas
o barulho dos corpos
impossível praia
este janeiro
o barulho das folhas
ilusório verão

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

2 respostas para “Procela

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