Sweet Marie

Perdi a conta de quantas tardes
passei ouvindo Dylan
à espera de que a sorte mudasse
um trabalho mágico, um verso preciso
contrariando tantos adágios
sobre transformações e novidades
nascidas
espontaneamente.

Mais um gole de rum,
Pedro,
mais um gole de água da pia
mais um Dylan,
um dia tiveste esperança
agora acalantas uma azia intermitente
não há milagres, meu filho,
por que não tentaste aquele curso
de eletrônica
no Instituto Universal Brasileiro?

Em algum apartamento vizinho
alguém abre contagem regressiva
em voz alta e
gralhosa,
quem será derrotado, meu Deus?
e eu escuto
apreensivo:
três…
dois…
um…
pois ainda não sei
onde você estará
esta noite,
doce Marie.

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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