Silêncio agora, corpo

silêncio agora, corpo,
não creias na passividade da manhã
que te recebe com a indiferença
natural de qualquer manhã

silêncio agora, corpo,
logo hão de te perseguir
cães e censores
uma psicóloga
a câmera escondida

silêncio agora, corpo,
amanhã haverá uma manchete
e uma lei
erguidas contra ti

silêncio, corpo,
pois ainda te delata
o vergonhoso desejo
e o sumo proibido
ainda mancha
as vestes que te recobrem

conheceste o segredo, corpo,
rompeste o pudor do segredo
com a violência de mil pretores,
lançaste tentáculos
que ora recolhes
cobertos de sangue

silêncio, corpo,
os mares desconhecidos
em todos naufragaste
nos lençois da cama do quarto fechado
deixaste carne e alma
feridas e inocência
um outro corpo
que tentaste acordar em vão.

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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