Isonomia

A nação está em festa
enquanto meu coração
cravejado de estilhaços
pulsa lento
e supura sangue.
A raiva não arrefece,
lamento o revólver
de meu avô
que perdi
para o desarmamento.
Ah, o creme da empunhadura –
láctea madrepérola –
o cano cromado,
a solução ruidosa
no tambor
as seis balas fúteis,
a curva sutil,
fria
e logo quente
do gatilho.
Em casa
(as mãos nuas)
vejo pela televisão
que já não há mais
coragem no mundo.
Há tentativas,
negociações,
liminares,
o bárbaro de terno e gravata
termina sorridente,
e então percebo
que talvez nem à bala
pudera haver
isonomia.

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Sobre pedrogonzaga

Músico, professor, tradutor e azarão da escrita. Ver todos os artigos de pedrogonzaga

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